Excerto da obra "O Lugar Onde Nascem os Anjos"

 



"A perceção do corpo dele, colado ao seu, apaziguou-a por breves segundos. Sentia a respiração ofegante dele na sua orelha, nos seus cabelos, e arrepios espalharam um formigueiro agradável pelo seu ventre. Todavia, a fúria era puro fogo no seu coração, nas suas veias. Ardia e pulsava, viva e sedenta. Era tão intensa, que Belleine sentiu o ar fugir-lhe dos pulmões. Apercebeu-se, com pasmo, de que cerrara os punhos, e um som estridente, muito agudo, feriu-lhe os ouvidos. Toda a loiça presente em cima da mesa parecia vibrar. O candeeiro no teto baloiçava, o som do cristal em contraste com a porcelana a tremer contra a madeira."

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