Crise sanitária: Covid-19 #1
A pandemia de Covid-19 afigura-se como a maior crise sanitária global dos últimos tempos, e veio mudar drasticamente as vidas humanas. O número de vidas perdidas é assombroso, e a irresponsabilidade das pessoas é assustadora, nomeadamente em Portugal. Sempre acalentei a esperança de que a minha família escaparia a esse vírus cruel, mesmo sabendo que a minha mãe, funcionária pública numa creche, estaria em perigo diariamente, bem como a minha irmã, enquanto tivesse aulas e avaliações presenciais na Faculdade, e até mesmo o meu padrasto, que trabalha diariamente em hospitais e centros comerciais, rodeado de inúmeras pessoas. Porém, essa esperança revelou-se vã, quando a minha mãe apresentou sintomas, e testou positivo, seguida da minha irmã, que tinha cuidado dela nos primeiros dias da doença. A creche onde ela trabalha fechou, e descobriram-se mais casos positivos, de pessoas assintomáticas que cuidavam de crianças todos os dias.
Como se não bastasse, o vírus atingiu os meus avós, duas pessoas com mais de setenta e oitenta anos de idade, que vivem numa aldeia, e raramente veem e convivem com outras pessoas, com exceção dos poucos vizinhos cujas rotinas se reduzem às suas vidas pela aldeia. A idade já não lhes permite a mesma autonomia de outros tempos, e todos os meses uma das netas acompanha a minha avó aos seus afazeres na vila, nomeadamente para abastecer a despensa para o próximo mês, e comprar os medicamentos diários que têm de tomar. A transmissão ocorreu nesse dia, sem ninguém sequer imaginar o perigo.
É dura a realidade que se vive. É duro saber que todos os dias morrem pessoas nos hospitais, sozinhas. É duro saber que chegámos ao ponto de ter que escolher as vidas que serão salvas. É duro ver as pessoas que amamos a sofrer, e não poder ajudar outras que estão longe e mais precisam de auxílio.
Contudo, é ainda mais duro ver pessoas a ignorar os apelos das autoridades de saúde e a quebrar as regras impostas pelo Governo, pondo a sua saúde e as dos outros, em risco. Não há qualquer controlo do confinamento, não se aplicam medidas punitivas aos infratores, e os números da Covid-19 continuam a sua escalada rumo ao descalabro.
Até quando? Quantas mais vidas terão que encontrar o seu precoce fim? Até quando vamos continuar a fingir que não se passa nada, e a quebrar as regras como se a nossa saúde e a dos outros nada valesse?

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